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26 de outubro de 2009

Um presente para ti

No agudo da noite
cada um sabe o porquê de se deixar um lar.

Entre sonhos, possibilidades e conforto, escolhi o nulo num dia vago.

A dor dói, a dor dói.

Sim, sentimentos captam pensamentos aéreos planando em existências qual queres.

Madrugada, companheira.

Palavras, impetuosas, não me rumam, orientam, desorientar.

Fumaça. Acabou-se o cigarro, sobraram pacotes, malboros, lights, silvers, detesto.

Quero liar, fazer o meu prazer, o tabaco no pacote, o papel, o filtro, liando pensamentos, tragá-los, expeli-los, ter paz.

Acordo sensações, sonhos raros, lembro de tudo.

Há sentido, melhor não buscá-los, sentir-los, sim, sentir-los.

Acordo, me acaricio, sou ordinária, pele e osso, a pele se larga, se alarga a cada dia, um dia apenas serei pó.

Me violento, não sou diferente do mundo, me v i a o l e n t o.

Sinto, me toco, a sutil fraqueza epitelial, serei pó, pó.

Ossos, sinto, fumei a retardar, vínculos sociais; acordo, que nojo, estou podre, tragando minha natureza em ruínas.

Vento, me tome, leve os pensamentos, as saudades, porque o inverno me traz desespero e o meu equilíbrio anseia em desmembrar-se.

Introspecção, proteção, renovação, a beira da demolição.

Medo, medo, caos, geração futurista.

Sou repetitiva e repentista.

Será a memória útil ou um pudor do absurdo?


Santorini, Oía 25/10/09

2 comentários:

  1. Que presente. Navegando aqui, imagino: cada palavra, trago, o misto da fraqueza com a força que torna a nossa inspiração possível. Obrigado.

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  2. Aleleô
    demoro mas vc achou uma forma de presentear-nos com tuas palavras, parabéns linda .Ai q saudade doce...pelo menos sei q pude contribuir em algo,pelo menos com folhas brancas, algo inspira mais?? beiijao mais q grande. Ana

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