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10 de novembro de 2009

Noites na lagoa eterna

Ruas afora.

Estou no conforto do desconhecido.

Sempre ansiei ao desconhecido.

E bem, agora, sinto uma falta que me parte em retalhos.

O sal do meu corpo é uma avalanche sem fim.

Aí desvendo:

Foi por este anseio que decidi partir... Para não ter-lo mais.

Pois.

Ele me alcançou e, aonde quer que eu vá, ele irá dentro de mim.

Comigo?

Não sei. Por isso me salgo na lagoa da solidão.

Seria eterno se estivéssemos juntos em espaço físico?

Ainda que a eternidade fosse calculada, contida na intenção dos momentos infindos, translúcidos em intensidade magnânima, silenciosa, na qual almas se unem, físicos se dissolvem, formam-se constelações?

Se explodem caladas e escutam dos olhares um colapso de transe em ¨extase¨ de libido ociosa?

Hoje não saio da cama.

Decidi morrer.

A figura em meus pensamentos me diz sorrir, me diz chorar.

Será isso a vida, ou enfim, estou morta?

Enfim, eu voaria para descobrir, mesmo que só tivéssemos instantes,

Tic TAC, tico e teço.

Olhar dentro desse mar de olhar, meu carinho te entregar, suas histórias escutar, seu cheiro, sentir, me perder num amargo irradiante de paixão.

É, eu me perderia uma vez mais...

Se eu pudesse te alcançar, agora as palavras diriam: Será isso ilusão, somos puros objetos de inspiração?

Nos renderemos ao precipício do princípio do amor?

Nesta noite tranquila afora, inquieta adentro, me despejo em lágrimas vermelhas e cinzas respiradas.


Kavala 9/11/09

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