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14 de dezembro de 2009

Ninho

Acordo com carinho, fazendo poesia com os lençóis, desperto e entro em sonhos, desperto, entro em sonhos, não paro de fazer poesia dormindo e acordada.

A mão me acaricia, me acaricia, essa pele macia toca a minha barriga de seda, essa mão é sua.

A chuva finalmente caiu certeira.

As ruas cheiram a erva e meus sapatos são desconfortáveis. Sigo caminhando...

Meus pés estão cheios de bolhas e calos, meu andar é raro, mas sabe aonde vai.

A maioria das pessoas busca problemas por condição, eu só quero encontrar amor, ainda que no caminho crie um zilhão de problemas...

Sou uma estranha nessa cidade e em todas as outras.

Ainda não tenho lugar, mas não por isso deixarei de buscar-lo, mesmo que peregrine para sempre:

Buscando em algum lado algo que eu só posso de fato encontrar bem dentro de mim mesma.

Efeito umbigo.

Como no meu sonho, alguém colocou um espelho pra refletir o meu umbigo e eu e a tal pessoa, olhávamos:

- Caraio, que túnel imenso esse aí...

MORRA EGO!

Não é essa a profundidade que eu quero alcançar. A do meu puto um bigo.

Ei, você, colega da esquina me diga:

- A vida também te faz perguntas?

- Te deixa zonza logo após te botar em marcha para algo que seria, de fato, certo?

Enfim, pra que te pergunto isso? Vou dar um nó pra fora do meu umbigo e abafar as perguntas.

Não.Não sei de nada, não tenho certeza.

Isso, como você já disse, sou do tamanho de uma merda e, o cheiro dos meus pensamentos pode se igualar ao dela. Lixo excêntrico.

Não posso fumar. Não quero. Não vou.

Tenho movimento, força e fraqueza.

Estou indo, devagar e sempre.

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