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20 de janeiro de 2011

Selvagem Poeta.


Nunca andou na linha
Não escreve sobre ela

Por caminhos tortos contempla a si em introspecção...
Navalha a carne na alma

Alegre, sem, alegria
Dispensável, sua vida
Não se bastaria dela em petiscadas se essa não fosse efêmera

Alquimista e astrônomo
Mapeia estrelas, desbrava curvas cósmicas, descobriu o mistério do "tele-transporte"
Não pela mecânica quântica, pelo sentimento "ano-luz"

Canções holísticas, despejadas por ele em cada poção do saber
No vento, embaixo da pedra, no "vivo" do faminto
Expressa sua dor com todo peso de sua massa bucólica

"Como faca num tiro de silêncio"
Rebeldes trocadilhos nascem em sua entropia poética:
Gotejando o suor, respingando pólvora dum olhar puro assim...

Nada mais se faz importante
Quando seu instinto acata em desacatar a razão
Saca de dentro pra fora
O entorna num impulso punk-hardcore
Sinestesia em fluídos dimensionais

O poeta só está vivo porque é um selvagem
- mergulha no vazio, cai no cheio -

No seio, o horizonte se amplifica
Em eternidade sucinta.

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