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25 de março de 2011

sem

Tem dias que a noite...foi louca
E os pulmões se levantam sem despertar
Vontade se cala

O tudo de bom disso
O vazio de tudo isso

Escorrendo na remela
No pigarro do ócio
No gozo do velho tarado

Da mente de um descarado
Fluxo e caminho: Vazão

A mercê da vida pode estar em um copo de cerveja, numa religião ou filosofia, num badego semi apagado, na concha desvanecida

18 de março de 2011

gota d'água

Nú crepitar da madeira
Vento uivando na porta

A falta do que não sobra
Na ostia de um sacerdote

No pudor da linguagem mamada
Garrafas de vinho quebradas
E sangue do aborto em lágrimas

Gotejos ostensivos em misericórdia
Formam cápsulas que transformam a física quântica
Em acesso nu ao esquecimento

A fita rebobina

E toca outra vez sem ninguém
Dar- se conta

15 de março de 2011

Baião

É beijo na testa
Alcoolismo em manifesto
Pássaros que migram
E verão que se enreda

É comida escassa
Uma sobra refogada
Amor calado e viril
Café e cheiro de sola de sapato

É medo de errar de novo
É medo de acertar
Invernar em ossos
E a vida fantasiar

Dar um grito
Chamar todos de loucos
Estúpidos envasados e
prontos para o consumo

É chama de lamúrias
Vontades ultrajantes
Falte de ambição
E sede de conhecimento

Poesia de cordel
De haicai
De Vilancete
Ah! De Jobim

É vida curta, agora ou nunca.

10 de março de 2011

Poção

Gosto do movimento do meu esconderijo:

- Todo dia ela veste suas traças e apanha sua guitarra...
Alcança o infinito (!)

- Dia todo ela acolhe tua mágoa:
"Olha pro céu!Eu sou o chão".

- Dia todo as idéias vibram na arpa .:.
A lira gira, ira...

Gosto do movimento do meu esconderijo:
Ele é o nosso ser de não ser mais o que se dirá ser.

3 de março de 2011

Enfim, soou

Maria sorriu outra vez.

Trouxe ensinamentos que vagueiam no ar, mergulham em mar, salpicam na terra e ardem no fogo.
"A quanto tempo essa mágica não me acontece?"
Franziu o nariz.

É preciso caminhar para ter uma conversa plena com as borboletas...
"Mover montanhas" para entender como um espaço físico te acomoda.
Ir em profundeza Antártica para então conceber uma erupção cálida.

A mente, é um objeto da gente.

1 de março de 2011

Tango é pra dois

(...) e na minha alma só crescem flores
Será isso o futuro?

Duas estradas
Contínuas, largas, intensas se comunicam
Se suplicam, entendem o corpo, do corpo
A voz que se altera, megera se amplia

Nããããããããõ!
Viver sem errar é o limiar da loucura!!

Pedi com toda a fraqueza de minha força, um abraço apertado
Um beijo calado
No pálido vento estilhaçado

No amargo de nosso âmago
Na sua fúria calada
Na insistência, minha, em rebocar o passado pra perto da minha incoerência juve(s)enil

Por favor, não se torne o que eu não quero ser.

Pedi, pedi, me perdi...no céu e no chão

Um clarão assombroso a conversar comigo, amigo, anoiteénossa

Delirante em cena - fecha os olhos e volta-se para si -

A água nos conduz a tecer fios de lira
Meus radiadores estão em pólvora

Tecer


E a noite vai e a noite vem
O que não se tem, no que se contém?

É querer só um
é um querer agudo

É um fio e um raso
rios de descaso (...)