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2 de dezembro de 2013

A queda

Abraça-me antes de meu pulo do penhasco

Na queda se vê tudo melhor

Fora do efeito e dentro da esfera

Consegue ver meus olhos gritarem enquanto timidamente sorrio?

Eu sinto nossos corações tão próximos que quase batem juntos, enquanto eles quase batiam, quase batiam

Nesse abraço esparramo desenhos

Até a boca calar e engolir a saliva seca na velocidade do vento

Até o céu se fechar em baixo do acho e subir as pernas e penas

Todos os nossos vetores, todos os nossos vetores, nossos

Derramo

Antes do dilúvio,

É preciso que esteja, céu


Posso te pedir?

Me solte

7 de março de 2013

Seda

Prove um pedaço do meu céu
e sinta todo o inferno contido

conte-me uma história na qual eu acredite
e façamos um enredo sob os véus de todos os mistérios

descobrindo-se e trilhando descobertas
pessoas e lugares, caminhos e afinidades

eu tenho menos eu do que antes já possuí
e somos assim tão nossos quando rimos à vontade

um sorriso puro de olhar cintilante
é o céu, será terra, sou o mar e sopro o vento


1 de março de 2013

+

Mais.É noite e tudo diz que devia ser mais.
Que tudo deveria ser mais!

Capaz de afogar todos os pensamentos num lago de lamentação e então...
Abrir a tampa do ralo.
Ver escorrer até a última gota
e ao pesquisar o pequeno buraco por onde tudo entrou
Sentir escorrer só uma lágrima e
Ver brotar uma flor dali.

Capaz

Que as coisas aconteçam e continuem sendo nada daquilo que se esperou
Rapaz, a vida vai dançando um baile infindo de possibilidades
E um astral dos infernos me toma desde o osso do dedinho passeando como num domingo, até o último fio de cabelo arrepiado

Me centro, inverto e entrego tudo ao mar
Veja, que dia mais belo para nada nunca mais querer.
Voltando ao ralo, que coisa mais bonita pra onde tudo vai...e onde é que a gente fica, sem querer mais.




8 de fevereiro de 2013

Máscaras e apelo
Jogo tudo no lixo e sento em possibilidades desconcertantes
Uma odisséia; esse túnel do desconhecido
E um relógio pendurado no pescoço, parado.                 Adeus.

Me tome
E se embebede da minha vida
A mais moribunda e travestida
Em sonhos e emoções
Desespero, paixão e vísceras

Aonde essa trilha leva?
Esse som me eleva
Quero partir desse concreto marginal e me despir
Virar de ponta cabeça e fazer melodia de todos os desencontros

Uma multidão e tudo cheira a flores partidas
São cabeças, são dentes, são genitais e inflamação na alma


Pregando todas as peças
E às risadas que rasgam sentimentos

Incendeio os sonhos de outrora
E vejo as cinzas pairando na maresia

Sem despedida muito longa...
Sinto todos os meus ossos se desmanchando
Cheiro de terra soprando depois da chuva longa
Avança a minha maré


1 de fevereiro de 2013

Entre frestas e vértices


Era tarde da noite.Um breu.Um são vento corria nas ventanas paulistas.

Uma janela larga no 13ºandar de qualquer lugar.

Ela ali, sentada com um lenço colorido na cabeça, lia o periódico de antes de ontem.

Na xícara de café, malte e cereais que vieram enlatados.

Alguns fogos de artifício desconcertados no céu a desconcentram num levantar de sobrancelhas e sequencial sorrisinho astuto de quem encontra uma ideia que vagava perdida.

Se remexe entre cobertores, travesseiros e restos de noite não dormida, enquanto de um impulso nasce um salto marcado, certeiro até o tapete chegar, bem ali em frente.

Enquanto preparada e posicionada como um gato sob o próximo passo, assim de curvado, firme e de olhos centrados, escuta um rugido!

É um abrir de porta lento e duro, a madeira canta sobre os pés que calçam o chão levemente.

 Escuta chegar sem se mexer e quase sem respirar e, mesmo sem se voltar ao movimento daquela sinfonia, quando ainda em pose de estátua, vê o vulto, não tão de  perto e o escuta murmurar:

-Ahh... me deitei e não passei meu creme de proteção solar, me empresta o seu minha querida...

A ideia se mexeu e  ela, trazendo-se de volta para aquele momento, virou-se  àquela presença e seus olhos de volta, como se saíssem do transe, enquanto sorri:  Claro, vou pegar, se deite.

26 de janeiro de 2013

Engradada

No relento aqui espero
Algo que vem chegando para devassar todo o concreto

Uma angústia aguda, num toldo alagado e revestido de nuvens profetas
Agora é tarde, ou cedo de mais

Um cálculo vazio ecoa no meu verso
Vezes inteiras e metades abstratas

Me falta dançar e nessa cena virar o tabuleiro do avesso
Criar aquele mundo contemporâneo ao sonho que me prometi

Tal, e coisas...que vivem na superfície dos meus julgamentos
Na instantaneidade do fogo ainda submerso

O meu castelo de ar: Não sei aonde ele foi parar
Lembro que  não foi preciso correr para chegar lá, não foi preciso pensar nos caminhos

Enquanto isso o ponteiro vai às cegas nivelando as auroras
E meu sonho não quer mais dormir