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10 de fevereiro de 2015

O dia

Estou eu cá, me emociono, pra variar
Com suaves gestos escuto gentis palavras 

Atrás dos véus que balançam
Vejo por detrás, pois se deixa mostrar, a força frágil se compartilhar

E após desvendar, o que as mulheres podem gerar
Cresce à vontade em delonga nesse luar

Seguido de uma dança, escorre uma lágrima
Me vejo: eu sou ele e ele eu

Uma lágrima de felicidade

O relógio escorre a La Dali
Se formam os rios de louvor

Encontro o que se havia perdido


Soou

Ele mostra que não devo ser com ele, para ser inteira
Devo ser inteira para ser 

Rio

Estações de Vivaldi passeiam por meus sentidos
Eu gosto do gosto das manhãs, das madrugadas, de observar a lua, ele e tudo

Agradeço aos céus e me alinho com o divino, graças à natureza
Tempos pretéritos ressoam 

Ainda mais sabor, não desviado dos propósitos, não obstante do Amor

O puro e verdadeiro Amor...

Deixar ser, livre viver
Sinto um gosto de vento na garganta 
Sopro transmutador

Agora é tempo, como sempre é
Aonde formos, é amor

18 de janeiro de 2015

UNA

Esse dia amanheceu diferente. 

É  verão, verão paulista e seco.

Minhas mãos estão molhadas de desejo e sem saber por onde começar, toda à vontade invade o ser.

O reinvento de tudo é necessário e faço um percurso leve de toda a vida até agora para saber exatamente onde não ir, onde ficar e o que investigar.

Estou cansada da novela. A vida maltratada, os ângulos inadequados em foco... aquelas coisas que afastam o amor e trazem à tona a supremacia da maior realidade inventada.  Aquela sustentada nos pilares do que é ser um ser humano, a manipuladora e chave maestra que não admite o ato de estar presente.

Eu abandonei diversas coisas e as coisas estão para serem abandonadas nessa matemática; faz sentido decrescer as construções, livrar-se de padrões  e continuar abandonando, até que enfim possa alguém se enxergar no meio de toda bagunça construída e acreditada.


Os meus 28 anos bateram à porta e percebo que não quero mais dar passos largos não sendo eles meus, nem fazer caminhos distantes quando a chegada pode ser mais curta e, não digo isso pela distância, mas sim pela essência do caminho - quero dizer, é preciso evitar caminhos desnecessários que prolongam a viagem, se possível - não levar histórias adiante sem que elas ainda sejam.
Mas esse aprendizado é feito pelo caminho desdobrado; não seria se não tivesse sido e com honra, me despeço dos pedaços.

Perde-se muito ao desgastar-se no excesso de todas as coisas. Perde-se o trivial, à deriva, o sabor de ser livre, vivo, de ver(i)ficar, de ter e soltar.